16 de dezembro de 2019 Artur Grando

GGAA ENTREVISTA 2019-2020

Na semana de 16 a 22 de dezembro de 2019, o GGAA preparou conteúdo especial de final de ano para o(a) empreendedor(a) que desbravou novos horizontes em 2019. Uma série de entrevistas – ou quase isso –  nas quais pessoas que fizeram a diferença em 2019 expõe sua percepção sobre 2019 e suas expectativas e visões sobre 2020. As matérias são compostas de temas específicos para cada entrevistado, mas sob a perspectiva de apenas dois pontos de vista:

Temas e Referências

16.12: “Movimento Empreendedor“, por Niege F. Canabarro (SEBRAE RS)

17.12: “Mercado e Proteção de Sementes“, por Paulo P. de Oliveira Filho (APASEM – Associação Paranaense de Sementes e Mudas)

18.12: “Mercado Imobiliário“, por Eneia Verdi (VERDI IMÓVEIS)

19.12: “Planejamento Estratégico Empresarial“, por Alessandro Becker (APORT EMPRESARIAL)

20.12: “Saúde e Segurança do Trabalho“, por Gustavo Ferreira (INNOVATIVA Medicina e Segurança do Trabalho)

21.12: “Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico“, Por André Cunha Rosa (BIOTRIGO GENÉTICA)

22.12: “Comércio“, por Sérgio Veroneze (VERONA DISTRIBUIDORA KEUNE)

Pontos de vista

  • O que foi BOM e RUIM em 2019;
  • Qual expectativa para 2020.

Queremos, com isso,  compartilhar experiências e visões sobre temas que consideramos relevantes para o empreendedorismo, de interesse especial aos nossos clientes, como forma de analisar por onde navegamos em 2019 e em que águas velejaremos em 2020.

"O passado serve para evidenciar nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro."
Henry Ford

Movimento Empreendedor

Por Niege F. Canabarro

O que foi bom e o que foi ruim em 2019

Os últimos anos não foram animadores para os negócios, devido à crise política e a baixa confiança da população em relação ao mercado e foi neste período que ouvi a seguinte frase “Leão não caça de barriga cheia”, e a partir de então comecei a fazer algumas análises de quantas oportunidades surgem nestes momentos e como alguns empreendedores conseguem crescer mesmo em tempos de crise? Alguns ainda dobram o seu faturamento e vão na contramão de qualquer estatística. Como eles conseguem alcançar esses índices e ter um movimento contrário, até mesmo ao da maioria do mercado?  Analisando as empresas que mais cresceram em 2019, observa-se que elas apresentaram algumas iniciativas em comum, como: investimentos em talentos e tecnologia, constante busca por inovação de seus processos, produtos e serviços, assim como a melhoria da experiência e da satisfação do cliente.

No país, são cerca de 51,9 milhões de empreendedores. Ou seja, de cada cinco brasileiros adultos, dois são empreendedores. Quando analisamos a motivação para iniciar um negócio, identifica-se dois tipos de empreendedorismo: aquele buscado por necessidade e o motivado por oportunidade, e é justamente essa segunda motivação, do empreendedorismo de oportunidade – que ocorre após a identificação de uma demanda de mercado e resulta, por consequência, em empresas mais preparadas e sólidas, que apresentou crescimento: 61,8%  dos novos empreendedores brasileiros disseram que abriram o próprio negócio por ter identificado uma oportunidade de mercado.

Em contrapartida, quando falamos da sobrevivência das empresas com até 2 anos, a taxa de mortalidade é relativamente alta, quando os Microempreendedores Individuais (MEI) são excluídos da análise, a taxa de sobrevivência é de apenas 58%, ou seja, 42% das empresas fecham após o segundo ano de vida.

A burocracia no país para abertura de novos empresas ainda pesa contra movimento empreendedor. Atualmente o Brasil ocupa a 138ª posição no indicador Abertura de Empresas, que mensura o número de procedimentos, o custo e o tempo necessários para que uma empresa possa iniciar a sua operação formalmente no país.   Por isso, o governo federal tem tomado iniciativas relevantes para a simplificação da abertura de empresas no país, como é o caso da Redesim, conjunto de regulações e sistemas para desburocratização e da recém promulgada Lei da Liberdade Econômica, que busca trazer racionalidade a ação regulatória do Estado.  No Rio Grande do Sul, dos 497 municípios, 56,53% já fazem parte da Rede, ou seja, 281 municípios gaúchos estão cobertos pelo sistema da Redesim para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios.

Quando olhamos a economia em 2019, o cenário não foi fácil para os empreendedores, mas há motivos para renovar as expectativas: inflação sob controle, queda histórica dos juros e avanço das reformas.

Expectativas para 2020

Desde que o mundo é mundo, a vida está em constante movimento. Pequenos acontecimentos, isolados ou nem tanto, juntos a diversos outros possíveis fatores, criam pequenos contextos. E pequenos contextos, somados a outros, dão origem às grandes mudanças.  É notório que a economia do país vem mudando e já apresenta indicadores de recuperação, com diminuição do risco país, queda da inflação, expansão de crédito, alta do Produto Interno Bruto (PIB) e retomada da confiança, mas além deste fatores econômicos, é importante que o empreendedor esteja atento a quatro macrotendência, possibilitando ampliar sua visão,  de modo que possa assimilar com mais precisão os atuais contextos globais. O que oferece diversos insights sobre o que a sociedade anseia ou necessita no momento, podendo ser crucial para tomada de decisões. São elas:

(Re) Humanização Globalizada mostra o quanto o funcionamento e as regras gerais da sociedade entraram em colapso. Em função do foco nos bens de produção e na tecnologia, exercido excessivamente nas últimas décadas, esquecemos de dar atenção às necessidades humanas mais fundamentais para viver com qualidade de vida. Agora se inicia uma reorganização, priorizando principalmente a saúde e o bem-estar da população, desta forma, o empreendedor deve estar atento a iniciativas que abranjam reeducação emocional, autoconhecimento, qualidade de vida e do trabalho, o prazer através da simplicidade, economia compartilhada, consumo verde entre outras.

Conexão de tudo que se refere à codependência do mundo virtual e real. Pensar em comunicação, informação, e até mesmo em comercialização, já não é mais possível sem considerar a internet e a conectividade. E nesta nova estrutura o empreendedor deve se preparar para uma total transformação do mercado e da sociedade. Mesmo as tecnologias e novidades, como robôs, realidade hibrida, blockchain, moedas invisíveis, entre outras, podem parecer distantes à primeira vista e não soar tão aplicáveis aos pequenos negócios, mas merecem monitoração. Nada impede que venham a se tornar de suma importância para futuras (e talvez muito em breve) demandas e inovações de negócio.

Vivenciando Experiências: O prazer por viver a vida na prática e de experienciar é inerente a qualquer ser. Não é de hoje que se fala em “gerar experiências únicas para nossos clientes”. Mas, é importante que o empreendedor de um passo a mais neste sentido, criando inovações que surpreendam seu cliente, nos aspectos ainda mais relacionados à “re-humanização”,  alguns exemplos são:  busca por um pouco de desconexão e tranquilidade, utilização de estratégias divertidas para impactar o público a partir do inusitado, otimização na experiência de compra visando melhorias ao negócio como agilidade e precisão, e entregando ao usuário o seu bem mais precioso — o tempo. No em tanto, essa macrotendência  é quase uma contra-corrente a segunda macrotendência  “Conexão de Tudo”. É natural que, em meio às tendências, algumas se fundam e outras se apresentem como contra-tendências. Dados estes movimentos sutis, mas de grande impacto, o exemplo concreto é um mundo altamente tecnológico que, embora desfrute destes recursos, ao mesmo tempo, tem buscado vivenciar algum distanciamento deles.

"Pequenos acontecimentos, isolados ou nem tanto, juntos a diversos outros possíveis fatores, criam pequenos contextos. E pequenos contextos, somados a outros, dão origem às grandes mudanças. "

Gestão Inteligente: As novas configurações do mundo e suas novas possibilidades têm gerado demandas que estão modificando grande parte das estruturas mercadológicas. Aqui o empreendedor precisa focar principalmente em processos de ganhos a longo prazo, entre eles, desenvolvimento de habilidades de resiliências, possibilitar a co-criação entre colaboradores, clientes e fornecedores, testar e experimentar novos produtos, serviços ou processos, sempre atento às mudanças no mundo e às atuais formas de pensar da sociedade.

Faz parte do mundo dos negócios ter uma visão estratégica sobre o futuro. Claro que não temos certeza absoluta de como será o cenário econômico daqui alguns anos, mas o empresário precisa planejar seu negócio para ter chances de sucesso, utilizando as tendências para lhe direcionar na obtenção de vantagens, firmando parcerias com pessoas certas – sempre em busca do benefício mútuo e por fim, estabelecendo metas claras para o seu negócio.

Fontes:  Empreendedores e potenciais empreendedores no Brasil: Global Entrepreneurship Monitor – GEM; Sobrevivência das empresas – Sebrae; Guia de tendências para pequenos negócios 2020/21 – Sebrae; As PMEs que mais cresceram em 2019 – Deloitte e Exame; Doing Business 2020 – Banco Mundial; RedeSim nos municípios do RS –  Jucis RS e Sebrae.

NIEGE F. CANABARRO é Técnica de Atendimento no SEBRAE RS e atua ao lado do empresariado, cotidianamente.

"Valorize quem dedica seu tempo a você!
Agradecemos imensamente à Niege F. Canabarro por dedicar seu escasso tempo a compartilhar suas experiências conosco!"
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